segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Espiritualidade e Pobreza

Pr. Renato Vargens
www.renatovargens. com.br

Poucas palavras em nossa língua são tão complexas quanto as expressões espiritualidade e pobreza. Na verdade, elas vêm ao longo dos anos sendo utilizadas pelo povo em geral de modo simplista, o que infelizmente contribui com a perpetuação de idéias e conceitos absolutamente opostos aos seus reais significados.

Embora alguns definam espiritualidade simplesmente como o equivalente a uma teologia mística e ascética, ela por si só, possui um significado muito mais amplo. Na verdade, espiritualidade pode ser definida como uma relação pessoal que o homem desenvolve com Deus, reverberando, por conseguinte em relações comunitárias. Já pobreza resume-se não somente a carência de bens econômicos, na verdade, pobreza significa muito mais do que isso. Ser pobre sintetiza a ausência de bens, de valores e referenciais que ajudam os cidadãos a construírem uma vida marcada pela dignidade.

A Bíblia é extremamente enfática quanto à necessidade de se fazer justiça ao pobre. Tanto no Velho como no Novo Testamento a pobreza é destacada como ligada à opressão. Portanto, a pobreza é para a Bíblia um estado escandaloso atentatória da dignidade humana e, por conseguinte, contrária à vontade de Deus.

Não sou adepto da teologia da prosperidade, nem tampouco creio na confissão positiva, no entanto, acredito piamente que alguém que vive uma espiritualidade saudável não pode em momento algum se contentar com a situação de pobreza e miséria desta nação. Uma igreja saudável é aquela que desenvolve em seus rincões uma espiritualidade centrada em Deus e voltada para as dores do homem.

Quando vivemos para Deus, naturalmente desenvolvemos uma espiritualidade abnegada, missiológica e altruísta. E é em nome desta espiritualidade, que necessitamos comprometermo- nos com a ética e com a Justiça, cuidar (sem assistencialismos) dos que gemem, além obviamente de aliviar a dor daqueles que estão oprimidos.

Viver para Deus tira-nos de nós mesmos, faz com que enxerguemos a vida pra além dos nossos umbigos. Viver para Deus, nos proporciona a certeza de que somos sal desta terra e luz deste mundo, o que implica de imediato em compromisso social com os que gemem e choram.

Não dá pra vivermos uma espiritualidade assecla, fria, interesseira. É importante que saibamos que quando gostamos de Deus, gostamos de quem Deus gosta.

Ah! Não se esqueça:

Deus gosta de gente! Deus gosta de Justiça social, de ética, de compromisso com a verdade, de pão, de moradia pro pobre, de educação, de vida plena e digna.

Nesta perspectiva, espiritualidade não anda de braços dados com a pobreza.


Pr. Renato Vargens
Escritor, conferencista e pastor da Igreja Crista da Aliança em Niterói

O Espiritismo à Luz das Escrituras

* Pr. Gomes Silva

O Espiritismo é tido como uma das mais antigas religiões existentes. Resultado do desejo humano de obter informações sobre a vida além-túmulo, bem como da vontade de entrar em contato com entes queridos que já faleceram. Moderno tem base na obra de Allan Kardec por entender que ele é uma reencarnação de um poeta celta com este nome.

Os seguidores do espiritismo kardecista acreditam na reencarnação, na purificação pelo sofrimento e pelas boas obras que praticam, até atingirmos a salvação. Também crêem na pluralidade de mundos habitados. Contudo, a terra é um planeta de expiação e que o ingresso pessoal depende unicamente do próprio indivíduo e que, embora exista, Deus é inacessível, pois os contatos com Ele são feitos através dos "Guias", ou espíritos que se manifestam através de "Médiuns". Quanto a Cristo, dizem que ele é uma entidade evoluída que veio ao mundo. O que não é verdade. Jesus é o autor da vida. O único homem que morreu e ressuscitou e está vivo à destra do Deus – Todo poderoso.

Mas quando olhamos a Palavra de Deus constatamos outra história totalmente diferente dessa que os espíritas professam. A Bíblia, conforme escreveu Paulo a Timóteo (3:16-17) é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça. Portanto, merece confiança e crédito.

Em Jô 7:9-10 está escrito: Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar o conhecerá mais. Já Eclesiastes 9:5-6 vai mais além: (...) Os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco têm eles daí em diante recompensa; porque a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Tanto o seu amor como o seu ódio e a sua inveja já pereceram; nem têm eles daí em diante parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Mais adiante, no capítulo 12:7 de Eclesiastes está assim: e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu.

E quem pensar que tem autoridade para buscar os mortos está enganado. Em Levítico 20:6 está assim escrito: Quanto àquele que se voltar para os que consultam os mortos e para os feiticeiros, prostituindo-se após eles, porei o meu rosto contra aquele homem, e o extirparei do meio do seu povo. E Deuteronômio 18:10-11 - Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos. E Isaías 8:19-20 concluiu: Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os feiticeiros, que chilreiam e murmuram, respondei: Acaso não consultará um povo a seu Deus? Acaso a favor dos vivos consultará os mortos? A Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva.

O que existe são espíritos enganadores (1 Timóteo 4:1-2), com suas doutrinas de demônios enganando o povo. Isto sim! A prática do contato com mortos - ou tentativa -, contraria os ensinamentos da Palavra de Deus. É inadmissível essa doutrina defendida pelos espíritas quando ela é tratada à luz da Palavra Divina.

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* Gomes Silva – pastor, jornalista, Especialista em Comunicação Educacional pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB; palestrante nas áreas da família, juventude e liderança